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A Democracia, agora segundo Moisés Naim

Moisés Naim é um escritor venezuelano que já assumiu cargos executivos, tendo sido Ministro do Desenvolvimento do seu país e diretor executivo do banco Mundial. Foi também editor chefe da revista Foreign Policy, e é articulista dos jornais El País, La Republica, e Folha de São Paulo. Após várias interrupções, terminei de ler seu ultimo livro, "O Fim do Poder", em que ele faz um raio x preciso das implicações da diminuição da capacidade dos dirigentes atuais, em todos os níveis e campos, de assumir posições que tempos atrás eram muitos mais fáceis de ser tomadas. Morador nos Estados Unidos, Moisés Naim faz uma análise bem pessimista da degradação do poder nesse país. Na sua opinião ela é decorrente da polarização que tomou conta da atividade política. Vejamos o que diz Francis Fukuyama a respeito dessa polarização na página 315 do livro: "Os americanos se orgulham muito de uma constituição que limita o poder executivo por meio de pesos e contrapesos. Mas esses pesos e...

Os Planos do Governo na Infraestrutura

Depois de 12 anos fazendo bobagem no planejamento da infraestrutura, o governo resolveu inovar: Criou um plano que vai ter que ser implementado pelo sucessor da Dilma. Isso evidentemente com toda a pompa que sempre acompanha esses anúncios. Observem a cadeira vaga à direita do Joaquim Levy. Vou arriscar um palpite: ela está esperando um membro dessa equipe que possua a mínima condição de elaborar um plano consistente. Senão vejamos: O Fórum Econômico Mundial acaba de colocar o Brasil na 120ª posição entre 144 países avaliados. As estradas e os aeroportos foram considerados particularmente ruins. O Aeroporto de Congonhas é considerado o pior do mundo em segurança: http://www.fatosdesconhecidos.com.br/10-dos-aeroportos-mais-perigosos-do-mundo/ Diz o site acima:  Um dos aeroportos mais famosos do Brasil, as pessoas nem costumam prestar atenção no perigo que ele representa. Isso porque sua pista é encravada no meio da cidade de São Paulo, e conta com uma margem míni...

A Queda do Preço do Petróleo e seu Impacto na Economia

Segundo a revista Foreign Affairs de Março - Abril, a queda abrupta dos preços do petróleo representou uma grande transferência de riqueza dos produtores para os consumidores de algo como 1,5 trilhões de dólares até agora, ou algo em torno de 2% do PIB mundial. Existem ganhadores e perdedores, mas há duas razões para se esperar que essa transferência venha ser positiva para a economia global. Em primeiro lugar, os consumidores têm um peso muito maior que os produtores no PIB global. Em segundo lugar, os países importadores, de acordo com a história recente, tendem a gastar uma parcela maior daquilo que chamamos de "lucro inesperado" que os exportadores. Países como os Estados Unidos e o Canadá são produtores e consumidores de energia, e para eles o quadro fica um pouco mais confuso. Uma queda nos preços do petróleo e seus derivados (gasolina, diesel, combustível de aviação, óleo combustível, etc.) aumenta o poder aquisitivo dos consumidores e os negócios. Por exemplo, a q...

Ainda a Maioridade Penal

Agora que o assunto passou a fazer parte da guerra existente entre o Legislativo e o Executivo, me senti na obrigação de voltar a ele. O Presidente da Câmara Eduardo Cunha acaba de comunicar através de uma rede social que logo após finalizar a Reforma Política a Casa passará a discutir a redução da Maioridade Penal. Para tanto ele convidou a consultora no Brasil do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Karyna Sposato, a ser ouvida na Comissão Especial para discutir a PEC 171 de 1993 (atenção para a data), que trata do assunto. A Unicef já se posicionou contra a redução da maioridade penal. Segundo ela essa iniciativa se choca com a Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU, a Constituição Federal do Brasil e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo a Unicef, entre 2006 e 2012 mais de 33.000 brasileiros entre 12 e 18 anos foram assassinados, e "as vítimas têm cor, classe social e endereço". Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Que o Br...

Minha Dieta estava Certa!

Passei décadas da minha vida de chef frustrado tentado convencer os mais próximos de que os médicos sabem pouco, ou quase nada, a respeito daquilo que devemos comer. Amigos que frequentam minha casa ficam horrorizados com o meu ovo caipira diário repousando em cima da tapioca no café da manhã, com a banha de porco que mantenho no freezer para as ocasiões em que preciso de um sabor maior nos pratos, com os patês, como o camarão estocado à espera do risoto, com o bacalhau salgado para os pratos do fim de semana, ou fresco para os pratos rápidos, com o joelho de porco, com as postas de pernil, e mais que isso, com o vilão mor, a buchada que eu faço questão de fazer com codeguim, a linguiça de couro de porco com pernil. Pois qual não foi a minha surpresa ao ver na Veja desta semana uma reportagem de 7 páginas declarando "AMOR ETERNO AO COLESTEROL". Segundo ela, "durante décadas, alimentos como o ovo foram tratados ora como vilões, ora como mocinhos. Pesquisas recentes põem...

O Brasil é Caro, e Ruim

Observem a foto abaixo. Trata-se do suplemento Metamucil, que o meu intestino idoso exige que eu tome diariamente. O menor eu comprei no Brasil e paguei por ele R$ 53,50. O maior foi comprado em Melbourne e me custou AU$ 14,99 em um supermercado. O dólar australiano está cotado a R$ 2,40 (base 19/05). O menor tem um peso líquido de 174 gramas, enquanto o maior pesa 504 gramas. É fácil calcular quanto o Metamucil brasileiro é mais caro que o australiano. Cada grama do brasileiro custa R$ 53,5 / 174 = R$ 0,307. Cada grama do australiano custa R$ 14,99 x 2,40 / 507 = R$ 0,071. Ou seja, o Metamucil brasileiro é 4,3 vezes mais caro que o australiano. Com a palavra os Senhores William Procter e James Gamble, já que ambos os produtos são importados dos Estados Unidos, da fábrica em Phoenix, Arizona. Não há nada que justifique esse absurdo. A Austrália tem apenas 1/9 da população do Brasil, o que afasta a hipótese de economia de escala. Por mais que os impostos nos castiguem, custar q...

O FIES Australiano

Estou em Melbourne, Austrália, desde o dia 25/04, devendo retornar ao Brasil dia 08/05, com parada de dois dias em Abu Dhabi. Vim visitar minha filha mais velha, meu genro e meus dois netos. Ambos os netos estão cursando universidade em Melbourne, e ambos participam de um programa de financiamento estudantil do qual eu já falei neste Blog, mas como estou aqui resolvi me aprofundar mais no assunto. Meu neto mais velho está cursando o 3º ano de Economia e o mais novo entrou agora no curso de Engenharia Elétrica. Eles estão enquadrados no programa CGS (Commonwealth Grant Scheme), cujo site contendo as "guidelines" é o descrito abaixo: https://education.gov.au/higher-education-loan-program-help Na Austrália, por se tratar de um país "pobre", ao contrário do nosso que é rico, todos pagam a universidade, com muito poucas exceções. O programa CGS garante financiamento a todas as universidades públicas. Já para as universidades privadas apenas os cursos aprovados pelo...