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A Vida é uma Viagem

Estou há horas enfrentado as retas da Belém - Brasília. São retas imensas, algumas com mais de 40 quilômetros. O ano eu não sei precisar, é na década de 1980. Ao meu la do está o meu Pai, àquelas alturas com idade parecida com a que tenho hoje. Tinha tir ado férias com a finalidade única de levá-lo à sua querida Carolina. Seguiria até Araguaína e então iria virar à direita e percorrer mais 110 quilômetros em estrada de terra até Filadélfia, pegar uma balsa, atravessar o Tocantins e pronto, missão cumprida; teríamos percorrido 1200 quilômetros a partir de Goiânia. Eram perto de 5 da tarde e eu estava cansado, louco por um banho. De repente, no meio de uma dessas retas, meu Pai manda eu diminuir a marcha e pegar uma estrada vicinal de terra, à direita, na direção do Rio Tocantins. Andamos uns 10 quilômetros e chegamos à sede de uma enorme fazenda. O Peão vem nos atender. Meu Pai pergunta:     - O Fulano está?     - Não senhor, ele não aparece há muito tempo. ...

Sobre o Pique

Minha atividade de tradutor / revisor voluntário da Fundação Lehmann (já houve quem criticasse o fato de eu estar trabalhando de graça para o homem mais rico do Brasil) me leva a, quando não concordo muito com a tradução de um trecho de um livro que estou lendo, procurar na Internet o original inglês e testar a tradução. No caso em questão se trata de um livro que, no ocaso da vida que estou trilhando, teve a ousadia de me fazer concluir que se trata de um dos melhores que já li: “Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas”. Encontrei esse livro perdido numa queima de estoque da Livraria da Vila aqui em Campinas, a qual estava fechando. Trata-se de um livro de 1974 que estava na minha mira desde essa época, e eu resolvi leva-lo junto com uma coleção do Príncipe Valente, meu herói da juventude. Achei a versão em inglês de graça em pdf: A palavra que despertou minha atenção era “pique”. Como se tratava de uma palavra fundamental para o entendimento de boa parte do livro, reso...

A Democracia no Fundo do Poço

A Revista Veja de 08/08 traz duas reportagens aparentemente desconectadas entre si, mas que a minha formação de engenheiro insistiram em aproximá-las, acho eu que com algum sucesso.  A primeira é sobre o matemático francês Cédric Villani, ganhador do prêmio Fields, o Nobel da área. Villani recebeu sua medalha em 2011 e, pelo seu temperamento expansivo, a ponto de ser apelidado de "Lady Gaga da Matemática", se tornou uma celebridade na França, a ponto de ser eleito para a Assembléia Nacional francesa no partido de Emmanuel Macron.  Durante a entrevista, ao ser perguntado sobre qual matemático merecia sua especial admiração, citou o alemão Johann Gauss, e chamou a atenção para a famosa Curva de Gauss, como sendo a fórmula matemática que melhor descreve o mundo à nossa volta. A figura acima, a chamada Curva de Gauss ou do Sino, é a demonstração de que um número imenso de fenômenos naturais tem a sua distribuição aproximada por uma média e uma variação em torno dessa ...

Agrotóxico, Pesticida, Defensivo Agrícola....

Moro em um bairro de Campinas SP chamado Chácaras Santa Margarida, o que me dá o privilégio de dizer que moro numa chácara. De apenas 1.000 metros quadrados, mas que possui 15 palmeiras e um verde intenso. A cada 6 meses eu pulverizo externamente um inseticida orgânico, tenho minhas janelas teladas e um estoque de "humanotóxicos" para me proteger dos eventuais pernilongos que vencerem a barreira que preparei, para evitar que eles invadam o meu conforto e dos meus convidados. Já pensaram qual seria a reação caso os inseticidas passassem a se chamar "humanotóxicos"? Será que as suas vendas iriam crescer? Pois bem, no Brasil, de acordo com a Lei 7.802 de 11 de julho de 1.989, os fundamentalistas de plantão decidiram que o nome a ser utilizado para os defensivos agrícolas seria "agrotóxicos". Foi a vitória da ideologia sobre a ciência: no resto do mundo o termo empregado é "pesticida". Daí a brincadeira que fiz ao chamar os inseticidas de humanotóx...

Os Candidatos e as Reformas

Se tem assunto que Candidato evita são aqueles que podem lhe tirar votos. Para minha surpresa no entanto parece que aqueles candidatos que não se situam no lado esquerdo do espectro político já vêm admitindo a necessidade de uma reforma radical na Previdência Social.  Para minha maior surpresa e do Celso Ming em sua coluna de 20/07, o Candidato que mais deu a cara pra bater nesse assunto foi Ciro Gomes, candidato do PDT, que não deixa por isso de ser considerado um terror para o Mercado. Isso é surpreendente porque o mais comum na nossa esquerda política é se aproveitar de opiniões controversas dos adversários da direita ou do centro para transformá-las em memes. Que o digam os Candidatos que ousaram falar em privatização da Petrobrás no passado.  A posição da esquerda nesse assunto é hipócrita; ela chega ao cúmulo de negar a existência de déficit e alega que basta cobrar as contribuições em atraso que o problema está resolvido. A verdade é que o atual sistema não tem salv...

Meu Fusca 66, Minha Herpes Zóster, e Eu

Em Agosto de 1966 voltei das minha férias em Goiânia montado num Fusca novinho em folha. Era um presente prometido pelo meu Pai quando eu passei no vestibular do ITA, que ele só pode concretizar 3 anos e meio mais tarde.  Rodei 140 mil quilômetros com esse carro e fui com ele de uma ingratidão, por tudo o que ele me proporcionou, que só agora pude avaliar melhor. Mas vamos por partes; primeiro vamos ver o quanto judiei dele. Tinha uma namorada em Goiânia que eu só via de 6 em 6 meses. Com o Fusca eu conseguia vê-la mais ou menos uma vez por mês. Saía de São José dos Campos sexta feira à tarde e amanhecia em Goiânia. Não existia ainda a Dom Pedro e eu tinha que passar por São Paulo, onde a Marginal só tinha um lado do rio. A pista dupla da Anhanguera acabava em Ribeirão Preto. O Sábado à tarde e à noite era para namorar. Domingo eu almoçava com a família e zarpava de volta, chegando a SJCampos de madrugada, pronto para enfrentar uma "amena" semana de estudos.  É clar...