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A Era da Ciência

O mundo está passando por um momento em que o monopólio das descobertas científicas está se desfazendo. Não é mais possível afirmar que o Ocidente pode ser visto como o dono do conhecimento científico, tamanho tem sido o esforço das nações em desenvolvimento, em seguida ao Japão, em equilibrar as forças nessa área. Destaque seja dado à Coréia, à China e à Índia. Podemos dizer, sem incorrermos em grave êrro, que cerca de 80% dos cientistas que já existiram estão vivos neste momento, já que 80% de todo o trabalho científico foi realizado no espaço de uma geração.

A taxa de crescimento da comunidade científica mundial é de tal ordem que, se ela fosse mantida durante duzentos anos, teríamos apenas cientistas no mundo. Estamos, então vivendo a Era da Ciência, e isso é sentido pela sociedade principalmente nos progressos alcançados nos campos da comunicação, dos transportes, da sáude, e por aí vai. Um amigo meu fez cirurgia de ponte de safena dias atrás; ficou dois dias na UTI, mais dois no quarto do hospital, e em seguida foi pra casa. Vinte anos atrás ele teria ficado no mínimo 15 dias no hospital. Esse progresso é resultado do avanço da ciência, que proporciona aos cirurgiões ferramentas mais avançadas para suas intervenções.

Por que então, em plena Era da Ciência, continuam em vigência bobagens de todo tipo, que agridem a cultura popular com um discurso pseudocientífico, com uma penetração impressionante? Não dispomos de dados relativos ao Brasil, mas no país onde a Ciência é mais avançada, os Estados Unidos, eles são impressionantes. Uma pesquisa do Instituto Gallup feita em 1990 mostrou a percentagem de pessoas que agreditam em:
  • Astrologia                                                             52%
  • Percepção extrassensorial                                     46%
  • Bruxas                                                                  19%
  • Alienígenas visitando a Terra                                 22%
  • A Atlântida                                                           33%
  • Dinossauros e humanos foram contemporâneos     41%
  • O dilúvio de Noé                                                  65%
  • Comunicação com os mortos                                42%
  • Fantasmas                                                            35%
  • Tiveram experiência paranormal                            67%
Podemos ainda citar outras crenças que não se sustentam cientificamente, tais como: deteção de água com forquilhas de madeira, o triângulo das Bermudas, biorritmo, poltergeists (deslocamento de objetos, ruídos), criacionismo, levitação, astrologia, psicocinese (mover objetos usando a mente), OVNIs, visão à distância, aura Kirlian, emoções em plantas, vida após morte, monstros, grafologia, criptozoologia (estudo de espécies animais lendárias), clarividência (percepção através de objetos), mediunidade, o poder das pirâmides, a cura pela fé, o abominável homem das neves, casas assombradas, controle de natalidade astrológico, etc. O progresso científico, por maior que tenha sido, parece não ter diminuido em nada o poder dessas crenças, muito embora ele seja uma ferramenta poderosa de desmascaramento das mesmas.

Por que os cientistas não acreditam em fantasmas? Porque eles nunca foram testados de forma consistente. A lei da gravidade é um fato (vide blog anterior), porque foi confirmada numa medida que permite a sua aceitação. Os fantasmas só existem na descrição de quem acredita neles. Já a existência de vida extraterrestre é perfeitamente plausível, não é aquilo que se costuma chamar pseudociência; mas a afirmação de abdução é. Não existe nenhuma evidência física deste fenômeno, e é impossível que milhares de pessoas estejam sendo levadas para naves espaciais sem que ninguém as detete. A alegação de que a ciência dos alienígenas não permite essa deteção não pode ser testada. Aqui se trata apenas de uma questão de fé daqueles que acreditam nisso.

Os eventos históricos também passam por esse processo que podemos chamar de pseudohistória. Aqueles que negam o Holocausto usam o argumento de que não há prova documental de que Hitler tenha ordenado essa tragédia. A afrociência é uma pseudociência que afirma que a civilização ocidental não teve suas raizes na Grécia, mas sim na África, visto que Aristóteles roubou da biblioteca de Alexandria as idéias que forjaram a nossa civilizaçao. Essa afirmação não resiste ao fato que a biblioteca de Alexandria é posterior à morte de Aristóteles. Como a afrociência é uma tentativa de promoção da raça negra nos Estados Unidos, quem a nega é automaticamente taxado de racista.

Acredito que a explicação para a permanência dessas crenças em plena Era da Ciência já tenha sido explicada em blog anterior: o cérebro, e junto com ele a mente e o comportamento, estão em evolução há cerca de dois milhões de anos, a partir de um tamanho de um punho até o tamanho de um melão do moderno Homo Sapiens. Já a civilização surgiu há cerca de 13 mil anos com a domesticação das plantas e dos animais, e a maneira de pensar moderna, científica, tem apenas 200 anos. Logo, os homens continuam pensando de maneira mágica, e serão necessários ainda milênios para que isso se resolva.

Todas as idéias aqui expostas decorrem da minha leitura de um autor americano, Michael Shermer, que é editor da revista Skeptic e diretor da Skeptic Society.

Comentários

  1. Nao devemos descartar essas "crendices" pois elas podem fornecer material para muitas descobertas cientificas que ainda estão por vir. Por exemplo, com pesquisas neurológicas podemos desenvolver habilidades telepáticas no futuro.

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  2. Algumas "pseudo-ciencias" muito na moda que eu me lembro: homeopatia, reflexologia, agricultura biodinamica e medicina antroposofica. As duas ultimas obras de um dos pais da pseudo-ciencia: Rudolf Steiner.

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