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"Os Estados Unidos agora são uma empresa familiar"

Em 14 de março de 2028 lancei o Post "O Retorno dos Governos Patrimonialistas", o qual teve um número muito pequeno de acessos (95 até hoje):

https://ceticocampinas.blogspot.com/2025/03/o-retorno-dos-governos-patrimonialistas.html 

Ontem abri o site Persuasion, do qual sou seguidor assinante, e me deparei com a Postagem "A América agora é uma empresa familiar", cujo título me convenceu de que eu preciso criar títulos mais chamativos. 

O problema de chamar a atenção do assunto no título do Post tem o efeito desagradável de despertar a curiosidade dos robôs. Por exemplo, o meu Blog Cético hoje está com o seguinte perfil de acessos:


Isso para uma semana. Seria ingenuidade minha supor que os chineses acessam meu Blog na mesma proporção que os brasileiros, e que o acesso dos americanos é 75% maior. Minha conclusão é que robôs devem estar interessados no que escrevo. Então eu já sei que um Post com esse título vai ter muitos acessos americanos e chineses.

Vejamos então o que nos quer dizer a Postagem do site Persuasion. Para ele o retorno de Trump à presidência teve o objetivo único que fazer do Estado americano um negócio familiar. Para isso ele adotou critérios que levaram a termos que chamar este governo de Patrimonialista. Nesse tipo de governo o Estado passa a ser uma propriedade do governante. como já vimos no Post citado acima. 

As providências que foram tomadas para que se chegasse a esse estado de coisas foram as de sempre:
  • As agências governamentais, aquelas que aqui foram criadas por Fernando Henrique com a finalidade de regular setores, executar políticas públicas e fiscalizá-las, foram fechadas ou esvaziadas (a exemplo do que ocorreu aqui com a mudança de governo).
  • As universidades foram pressionadas a seguir a ideologia ditada pelo poder executivo.
  • O poder executivo passou a ser exercido com uma busca frenética ao enriquecimento pessoal, sem qualquer consideração ao limite entre o interesse público e o privado.
As ferramentas que Trump utilizou a nível planetário e local incluíram a ameaça a aliados históricos, e a brutalidade explícita que culminou na proteção aos agentes federais que mataram cidadãos americanos.

Não dá mais para negar que estamos tratando aqui de uma total mudança de regime político, e o que se tem que fazer é verificar se ainda há tempo para se reverter essa tendência. Isso só é possível se os americanos souberem diagnosticar claramente o que está acontecendo com o seu país. 

Uma forma cômoda de encarar essa situação seria acreditar que o Trumpismo declinará junto com o seu líder. As declarações cada vez mais extravagantes dele passarão a ser encaradas como evidências de perda de controle. Isso será um grande erro. Na cabeça dos Patrimonialistas as condutas que parecem inadequadas por parte o Líder são recados claros de que ele está acima das restrições que se aplicam aos mortais comuns. Esses recados incluem:
  • a ameaças inimigos locais, e
  • a tomada de territórios de aliados, 
  • a renomeação de instituições nacionais
  • a exigência de juramentos de lealdade,
  • a humilhação política de subordinados,
  • a imposição de sua marca pessoal à da presidência.
Com isso fica clara a sinalização de que a vida pública está totalmente à mercê do governante. Um exemplo claro disso está espelhado nas revelações do caso Epstein. Até agora não foi detectada nenhuma deserção por parte da elite, e a desilusão popular está longe de sinalizar uma ruptura. O caso Epstein veio a calhar para demonstrar a total imunidade do governante, quando num regime normal iria acabar com a sua carreira.

Esse comportamento se estende aos detalhes menores, como por exemplo um salão de baile na Casa Branca, a colocação de placas nos retratos de seus antecessores depreciando-os ou se auto elogiando, o que transforma a sede do governo numa propriedade privada sua. 

Os governos Patrimonialistas fomentam as disputas internas entra as facções que o apoiam, porque elas não acarretam desafios à sua autoridade. Não há a possibilidade de uma dissidência interna resultar numa uma guerra interna, e o máximo que pode acontecer é uma depuração na corte com a marginalização de um ou outro dissidente.

Outra coisa a ser considerada seria uma intervenção do Judiciário com base nas violações à Constituição, que poderiam ter ido longe demais. Às vezes isso funciona, por exemplo no nosso caso onde o Judiciário operou com eficiência na sua função de guardião da Constituição no governo anterior, mas de forma geral existe muito romantismo nessa hipótese de que o terceiro poder tem realmente esse poder. Temos atualmente o caso de Israel, onde o limite da autonomia judicial sucumbiu ao Patrimonialismo. O que acontece quase sempre é as instituições jurídicas sobreviverem para os casos rotineiros, mas nos casos que envolvem o poder executivo elas se omitem.

A História está repleta de exemplos onde o Patrimonialismo cresce a ponto de considerar uma ambição imperial. Nesse caso ela veio com ameaças que se concretizaram na Venezuela, estão em curso no Irã, e estão sendo consideradas na Colômbia, no México, no Canadá e na Groenlândia. Devemos aqui levar em conta que os Estados Unidos vivem praticamente em situação de guerra desde a sua independência, e que em geral essas manifestações de poder são aceitas com certo ufanismo. Vejamos por exemplo o caso da Rússia, que está entrando no quarto ano de uma invasão brutal a um país vizinho e até agora não se viu qualquer reação interna a esse fracasso militar.

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O ponto fraco de todo regime patrimonialista é a sucessão no poder. No caso o que temos é o limite constitucional de não mais que dois mandatos, e uma enorme pobreza nas hostes Trumpistas de um nome capaz de enfrentar uma eleição. Está em curso uma campanha por um terceiro mandato, e uma companha "Trump 2028" para contornar a 22ª emenda da Constituição americana. Se Trump conseguir romper os limites formais de mandato, ele abre campo para a possibilidade de um mandato indefinido. Essa iniciativa tem que ser contestada desde a sua concepção, sem o que os Estados Unidos terão criado um Getúlio Vargas, um Nicolás Maduro, um Vladimir Putin.

A queda da popularidade é a ferramenta mais importante para combater o Trumpismo, mas até ela tem que ser ancorada na certeza se que o Trumpismo não conseguirá um terceiro mandato. A situação por lá é parecida com a daqui, em que Lula conseguiu um terceiro mandato porque aconteceu um Bolsonaro entre eles, e lá aconteceu um Biden, mas a 22ª emenda é mais clara a esse respeito.

 A dissidência aberta é a melhor arma para se conseguir a adesão dos indecisos, e haverá da parte o governo patrimonialista uma reação violenta a ela, e no caso de uma derrota eleitoral, uma campanha para invalidá-la, que já começou. Os Democratas, de acordo com as pesquisas, estão em vantagem para as eleições de meio de mandato deste ano.

Segundo a Cook Political Report, uma organização apartidária, hoje os democratas garantiriam 189 cadeiras na Câmara dos Deputados, contra 186 dos Republicanos. São 435 vagas na Câmara Americana, então ainda temos 60 cadeiras na disputa. Essa disputa tão acirrada mostra claramente que ainda falta muito para a sociedade Americana se convencer do desastre que provocou elegendo Trump, e devemos torcer para que essas 60 cadeiras venham a ser majoritariamente ocupadas por Democratas.

Trump já esta se preparando para esse golpe. Ao saber o resultado de uma pesquisa do New York Times que indica que a maioria dos eleitores desaprova o governo Trump, declarou nas redes sociais que "pesquisas falsas e fraudulentas deveriam ser, na prática, crime".

Quem diria que o governante que se declara defensor da democracia e invade Venezuelas, Irãs, e ameaça Canadás,  Groenlândias, Méxicos, Colômbias, está impondo internamente uma ditadura.......

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