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Petrobrás: Corrupta, Incompetente e Debochada

A revista Veja dessa semana é um verdadeiro compêndio dos três atributos que eu dispensei à Petrobrás no título deste Post. Só que estamos vivendo um tempo em que as coisas podem muito bem ser resolvidas, para usar um termo "petrolês", off-shore, mais precisamente na Bolsa de Nova York.

A empresa está correndo sério risco de ser varrida do mercado financeiro internacional, o que fatalmente viria a decretar o seu fim. Isso já estaria ocorrendo se estivéssemos falando do uma empresa privada; em se tratando de uma empresa controlada pelo Governo, que a usa para todo tipo de fim escuso, já está em vigor uma campanha de reerguimento da sua reputação junto à sociedade. Até no meu passatempo favorito, a Microsoft Solitaire Collection, eu tenho que aguentar 25 segundos de propaganda institucional da Petrobrás para ter direito a um bônus nos jogos:

Diz o vídeo: "Superação. A nossa história está repleta dessa palavra. Lá atrás mostramos que o petróleo é nosso, e recentemente descobrimos o pré-sal. Hoje os problemas são outros ..." ; e por aí vai. É muito deboche. Em Post anterior eu toquei nessa tecla que o petróleo nunca foi nosso; essa campanha visava tão somente reservar essa riqueza para os donos do poder. O petróleo é deles, não nosso. O pré-sal foi outra enganação. Na verdade ele era a forma mais cara e menos eficaz de se extrair óleo. Enquanto os Estados Unidos marchavam firmemente na direção de desmantelar o cartel da OPEP com uma forma nova de produzir óleo através do xisto, nós investíamos no endividamento da Petrobrás com uma estratégia fajuta.

Da Sete Brasil eu já falei, e a Veja está anunciando o seu velório para breve. Enquanto escrevo essas verdades fico sabendo que a Graça finalmente perdeu a graça. Duro vai ser encontrar o "Levy like" que tope enfrentar esse pepino.

Mas vamos aos fatos. Vamos começar pelo comédia pastelão que foi o balanço trimestral da empresa. Com dois meses de atraso, ele foi divulgado na madrugada (?) de quarta feira, 28 de janeiro. Imediatamente as ações sofreram uma queda vertiginosa, devida ao fato de que as baixas financeiras decorrentes da corrupção não estavam explicitadas no balanço. A presidente da Petrobrás simplesmente calculou essa perda estimando em 3% do valor de todas as obras e instalações citadas nas investigações. Com um documento como esse não seria mais necessária a continuidade das investigações, já que ele é uma declaração de culpa explícita. Esse valor foi definido como 4 bilhões de reais, o que significa que a propina atuou sobre um desembolso de R$ 130 milhões. Mas isso foi só a ponta do iceberg. Na análise atualizada dos ativos da empresa em relação ao último balanço foi constatada uma sobrevalorização que atingiu 86,6 bilhões de Reais.

A Dilma ficou p da vida (pra variar) com essa verdade irrefutável, a fez dela o motivo para dispensar a Graça. Ela confundiu, como de resto a mídia incompetente, essa declaração de sobrevalorização com perda decorrente do banquete que foi o assalto à Petrobrás. Na verdade esse número reflete muito mais a gigantesca incompetência que permeou todas as decisões estratégicas da PTbrás.

As maiores baixas declaradas são o COMPERJ - Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. e a Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco. O COMPERJ conseguiu a proeza de ver sua avaliação cair de R$ 35 bilhões para ZERO. Lula lançou a pedra fundamental desse complexo em junho de 2006. O orçamento seria de 6,5 bilhões de dólares, e a expectativa era a de geração de 200 mil empregos diretos e indiretos. A construção só se iniciou em 2010 e o complexo já deveria estar funcionando. Não está e apenas metade da obra foi executada. O TCU já pediu a paralisação da obra, pedido acatado pelo Legislativo e peitado pelo então Presidente Lula. Ano passado a Delta Construção, envolvida com notório Carlinhos Cachoeira, participante de dois consórcios, deixou a obra. A Petrobrás não construía uma nova refinaria havia 32 anos e se mostrou totalmente despreparada para a empreitada. Há falta de dinheiro para levar a obra adiante. Deu no que deu.

Já a Abreu e Lima teve sua avaliação reduzida de 35 para 18 bilhões de Reais. Ela é a cereja do bolo da Operação Lava Jato. Dada a sua dimensão ela tem capacidade de abastecer todo o Nordeste, mas isso era pouco para Lula. Seria necessária a construção de mais duas refinarias, a Premium 1 no Maranhão e a Premium 2 no Ceará. Ambas seriam usadas para escoar o óleo do pré-sal. Passados 7 anos os dois projetos foram abandonados, e só na Premium 1 foi declarado um prejuízo de 3 bilhões de reais.

Na minha vida profissional eu passei por uma empresa que só tomava decisões erradas. Ela inventou um tal Iridium em 1990. Colocou 66 satélites em órbita, gastou bilhões de dólares, e veio a saber que o roaming internacional resolveria a questão da comunicação celular por um preço que era uma fração do que ela já tinha gasto com seus tijolos que só funcionavam fora de casa. Acho que apenas o Amyr Klink usou essa porcaria. Ela era a maior fabricante de celulares do mundo; só que não apostou na telefonia digital e teve que entregar o chapéu pra outra empresa. Só que essa empresa insistiu em manter um sistema operacional ruim e está sumindo no mapa também. Paciência.

Mas por que eu estou mudando de assunto? Na verdade eu não estou. Estou tentando mostrar com exemplos o fenômeno da destruição criativa, aquele que mata os incompetentes e promove os que tiveram uma visão estratégica correta. Isso nunca vai ocorrer com a Petrobrás, porque as suas decisões não são técnicas nem comerciais; são políticas.

Ela sangra para manter a gasolina em um preço que não cause inflação; ela exige conteúdo nacional em componentes caríssimos que dela tiram toda a competitividade; ela tem que engolir os Gabrielis da vida. Com o petróleo no preço em que se encontra, não há lugar para esse tipo de empresa.

Existem duas saídas para a Petrobrás. A mais evidente e menos provável é a sua total privatização. Ela iria sofrer uma enorme diminuição em seu tamanho e em algumas décadas, com sorte e competência, poderia escapar do destino PDVSA pra onde está se encaminhando a passos largos. A menos evidente e mais provável já está ocorrendo: é jogar a conta nos ombros da sociedade. Se preparem e me aguardem que eu tenho mais argumentos.

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