Pular para o conteúdo principal

O Efeito Orloff 2016

"Eu sou Você Amanhã", dizia a propaganda da vodca, alertando para a importância de se escolher a bebida certa e evitar a ressaca do dia seguinte. Imediatamente se fez a conexão dessa frase com o que ocorria na época com a economia das duas maiores potências latino americanas, que teimavam seguir ladeira abaixo uma atrás da outra. Tudo o que a Argentina fazia de errado era replicado aqui.

O TCU, ao chamar a atenção recentemente para os desmandos cometidos pelo governo Dilma, voltou a mencionar o "Efeito Orloff", o que o Estadão, no dia 07/07, em reportagem de Suely Caldas, considerou um exagero. Segundo ela "aqui seria impensável destruir quase 80 anos de trabalho do IBGE, transformando-o em uma instituição servil, como é o IDEC argentino". Pois bem, os truques do "Ministério Mântega" desacreditaram a nossa contabilidade em escala no mínimo igual, e reportagem recente no Valor Econômico confirma que não foi por falta de aviso que essas barbaridades foram cometidas: foi por puro apego ao poder em detrimento da sociedade.

A Argentina é tudo o que um país sonha ser. Se bem administrada ela seria uma Noruega não gelada. Ela é auto suficiente em tudo: combustível, proteína animal, cereais, minerais, e o mais importante, tem água em abundância. Galbraith disse que só existem no mundo duas sociedades viáveis, a dos esquimós e a dos argentinos.

Prova disso é a recente lista das Nações Unidas de 188 países que coloca a Argentina em 40° lugar no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). A Noruega permanece em 1° com índice 0,944, seguida da Austrália com 0,935. A Argentina tem 0,836, o Chile (42°) 0,832, o Uruguai (52°), 0,793, Cuba (67°) 0,769), o México (75°) 0,756, e o Brasil (76°) 0,755. Com todos os desmandos dos governos recentes a Argentina, um verdadeiro vespeiro em termos de economia, consegue mesmo assim ser o país latino americano com o melhor padrão de vida.

Sua expectativa de vida é maior que a nossa (76,3 x 74,5), a média de anos estudados também (9,8 x 7,7), bem como a renda per capita (US$ 22.050 x US$ 15.175). Só que....

A coisa vai piorar. Isso porque os Argentinos tomaram a iniciativa de virar a mesa e dizer não ao populismo peronista e elegeram um liberal para mudar as coisas. Se não tomarmos inciativa idêntica a tendência é ficarmos ainda mais atrás, atrelados aos bolivarianos.

Não vai ser fácil. Assim como nós, a coisa pública argentina não pertence à sociedade, mas sim aos grupos de pressão, que vão fazer de tudo para tornar a mais complicada possível a iniciativa do Governo Macri de mudar as coisas. A Viúva já deu o tom ao se recusar a passar a faixa presidencial. As Mães, Viúvas e Avós da Praça de Maio já declararam guerra a Mauricio Macri, dizendo que as Marchas da Resistência recomeçaram, e "repudiaram a presença de Macri na Casa do Governo". Os sindicatos peronistas vão sabotar a mudança. Macri vai ter que ser rápido para provar que seu governo vai agir em benefício da sociedade.

E seus primeiros passos são na direção certa. Escolhe seu ministério com base no mérito. A Fazenda e Finanças foram para Alfonso Pratt-Gay, ex presidente o Banco Central. As Relações Exteriores para Susana Malcorra, chefe de gabinete do secretário geral das Nações Unidas. Energia e Mineração para Juan Jose Aranguren, ex presidente da Shell argentina, e por aí vai. Parece muito com o critério usado por Dilma....

Estou lendo no Estadão de hoje que Macri, através de seu Ministro da Produção, acaba de desatar um nó que mantinha paralisada a produção agrícola e pecuária. Não contente com isso ele também declarou extinta no fim do ano corrente a famigerada Declaração Jurada Antecipada de Importação (DJAI), pela qual a Argentina controlava a entrada de produtos, numa afronta aos princípios do Mercosul, e contra a qual o governo brasileiro se submeteu sem nenhuma objeção.

Foi eliminado o imposto sobre a exportação da carne e de todos os grãos, à exceção da soja, que sofreu redução de 35 para 30%, mas já foi anunciado que essa redução vai progredir para zero. Ainda nesta semana vai ser anunciada a unificação do câmbio, outra encrenca criada pelos Kirchner, em que a Argentina possui 6 tipos de conversão.

Vamos esperar que o Efeito Orloff também funcione no sentido positivo, onde essas mudanças se concretizem também por aqui. A necessidade delas por aqui é a mesma, e as resistências a elas vão ser tão grandes quanto. Para o Efeito Orloff acontecer, fazer jus ao nome, elas por aqui terão que ser
rápidas, em sequência às de lá, e isso me leva a concluir pela necessidade do impeachment, já que o governo Dilma deixou de existir há tempos.




Comentários

  1. Excelente texto e análise da situação argentina com o final da era Kirchner. Sua conclusão em favor do impeachment da presidente Dilma "para o Efeito Orloff acontecer", faz todo o sentido para mim.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Sobre a Democracia

Dificilmente iremos encontrar uma palavra mais sujeita às mais variadas interpretações como a do título deste Post. O exemplo maior entre tantos outros talvez seja a República Popular Democrática da Coréia , vulgo Coréia do Norte, que recentemente executou 30 funcionários da sua agência do clima por não terem previsto as fortes chuvas que assolaram o país. Para dirimir esta questão a Economist Intelligence Unit (EIU) , da revista inglesa The Economist - a mesma que criou o já famoso Big Mac Index, que avalia a paridade do poder de compra das moedas - criou em 2.006 o Democracy Index,  para examinar o estado da democracia em 167 países. O resultado está mostrado no mapa abaixo: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_de_democracia#:~:text=Na%20avalia%C3%A7%C3%A3o%20mais%20recente%2C%20divulgada,a%20pior%20nota%2C%20com%200.26. Em fevereiro passado saiu a sua nova versão, o Democracy Index 2023, que sem muita surpresa classificou as 167 nações avaliadas e deu a relação das dez melh...

Sobre o MERCADO

Em uma reunião recente onde grandes representantes do Mercado estavam presentes, surgiu aquela frase que, quando chegou a mim, me levou a considerar apresentar aos meus poucos seguidores a minha visão do que entendo como Mercado. A frase foi a seguinte: "O Brasil só tem um problema, é o Problema Fiscal" Simples assim. O que leva um observador externo a concluir que uma vez resolvido este problema a desigualdade imensa com a qual convivemos irá aos pouc os ser amenizada. Para demonstrar quão limitada é a visão do que chamamos de Mercado vamos colher alguma noção do que ele tenta nos ensinar a seu respeito. Academicamente, o Mercado é definido como o processo de interação humana de troca voluntária de bens e serviços. Assim sendo ele envolve praticamente tudo o que conhecemos, nós somos parte dele e contribuímos de alguma forma para o seu funcionamento.. Por exemplo eu gosto imensamente de ir ao Mercado Municipal de Campinas. Sempre entro nele pela área das peixarias com seu ch...

O Gás Carbônico

Meu penúltimo Post, aquele sobre as COPs, não teve até agora a quantidade de acessos que eu entendo que merece, dada a sua importância (só 146 ). Como a média de acessos deste Blog gira em torno de 600 por Post, só posso concluir que este assunto ainda não desperta muita atenção. Mas pelo menos ele teve comentários. Para mim o comentário é importante, já que ele desperta em quem leu o Post a vontade de participar do assunto.  O comentário do Roberto me deixou feliz, porque segundo ele o Post trouxe de volta uma questão que ele já tinha enterrado. Valeu então a pena o tempo que perdi em escrever o Post se convenci um amigo a voltar a pensar na mudança climática. Mas u m comentário em particular me leva a voltar a falar dela. Meu amigo Alex escreveu: Pelo que me lembro, na atmosfera há (números redondos, já que minha memória fraqueja) 71% de Nitrogênio, 21% de Oxigênio, e algo como menos de 1% de Gás Carbônico. Como esse desgraçado CO2 pode ter tal influência? Este comentário faz tod...