Não há como fugir desse tema, a não ser que deixemos de ler jornais e revistas, de ver noticiários na TV, de sair de casa, e por aí vai. Vamos tomar por exemplo a Veja de 15 de maio:
1 - Na sua página 84 vem o título "A Casa do Horror", da reportagem que descreve com detalhes o sofrimento das três mulheres mantidas presas em Cleveland, Ohio, por uma década.
2 - Já na reportagem seguinte, na página 88, temos o "Mergulho nas Trevas", que trata do fim dos dias gloriosos de um pastor acusado de estuprar fiéis, acobertar criminosos e ordenar assassinatos. Isso aqui no Brasil.
3 - A reportagem seguinte, página 90, "Índio Quer Tumulto" é sobre o comportamento abusivo de índios que viajaram 800 quilômetros, financiados por ONGs, para invadir uma hidrelétrica em construção, causando um prejuízo de 10 milhões de reais por dia.
4 - Mais adiante, na página 92, a reportagem especial "Não Bastou Escapar do Inferno" descreve as dificuldades dos refugiados da Coréia do Norte para se adaptarem à nova vida no mundo livre.
5 - Não deixa de ser uma agressão o tema da reportagem seguinte, "Guerra aos Paraísos Fiscais", página 102, onde vemos que a União Européia decidiu combater as organizações que lavam o dinheiro conseguido em operações criminosas em todo o mundo.
São cinco reportagens seguidas na revista de maior divulgação no país.
Já na minha Campinas, como de resto em toda área metropolitana do nosso país, viver se transformou em uma operação delicada. Depois de 15 anos morando em um condomínio fechado, onde as pessoas que iam me visitar tinha que passar pelo constrangimento de mostrar documentos, ou ter cadastro já existente na portaria, resolvi fazer uma coisa que foi encarada com uma loucura pelas pessoas mais chegadas: morar em uma casa onde não seria necessário passar por uma guarita para se chegar até ela.
O condomínio fechado, horizontal ou vertical, é na verdade uma prisão. Só quando tomamos a decisão de sair dele que nos damos conta de quanto os procedimentos que temos que seguir nos transformam em seres antissociais, egoístas, fechados. A segurança que ele nos oferece em troca da nossa liberdade confiscada, além de ilusória, nunca é compensadora. A nossa natureza de seres livres dá lugar a uma situação em que a única saída é nos tornarmos agressivos. Surgem as disputas entre vizinhos que acabam por tornar a assembléias uma fogueira de vaidades, com o seu progressivo esvaziamento.
Outro fenômeno que acaba por ocorrer é que os grandes criminosos já descobriram que o melhor lugar para se esconder é dentro de um condomínio de alto luxo, e tornaram-se comuns as incursões policiais à cata deles, a ponto de não podermos mais afirmar que dentro desses locais a população per capita de criminosos é menor.
A arquitetura das nossas áreas metropolitanas foi modificada para abrigar esse estado de coisas. Minha filha mais velha mora em Melbourne, Austrália, cidade com cerca de 3,5 milhões de habitantes, mas que tem uma área maior que a da cidade de São Paulo. É impensável para um habitante de Melbourne abrir mão de morar em uma casa ampla, com quintal onde os pássaros vêm te acordar todos os dias. Também é impensável cercar com muros altos a sua residência, o que torna os bairros de Melbourne lugares extremamente agradáveis.
Junte-se à falta de segurança a falta de transporte urbano de qualidade, a falta de infraestrutura, e chegamos a situações como São Paulo, Rio, BH, e por aí vai. Goiânia, hoje, com sua ruas estreitas e pombais cada vez mais altos, tem um trânsito impossível de se dar solução. Fiquei sabendo que Florianópolis caminha no mesmo sentido. E nossas autoridades não fazem nada. E nós vamos nos adaptando a esse inferno.
Somos permanentemente agredidos. De todas as formas possíveis. Mas de todas as agressões a que estamos expostos a mais cruel, sem dúvida. é aquela de que trata a reportagem do pastor da Assembléia de Deus dos Últimos Dias, a celebridade Marcos Pereira. Cortejado por políticos, artistas e ongueiros, a ponto de ter sido fotografado abraçando a nossa presidente, ele é, ou era, o grande guru da baixada fluminense.
Nessa forma de agressão o agressor atrai a vítima com uma proposta de libertação: pode ser o caminho para o céu numa vida futura, a cura de uma doença grave ou de um vício, o tratamento de um problema existencial; é a vítima que procura o agressor, o qual, travestido em cordeiro, lhe dá a garantia da solução do seu problema, e acaba por conquistar por completo a sua confiança. O passo seguinte é a agressão.
Como sou pescador, vou traçar um paralelo entre o estuprador de Cleveland e o nosso Guru de periferia. O estuprador sai de casa, dá carona a uma adolescente que certamente estava acostumada a pedir carona para voltar pra casa, a leva para seu bunker e a mantém presa à sua mercê. Sua estratégia é clara: o predador saiu pra pegar a sua presa munido do seu arpão. Já o nosso Pastor pega um anzol, coloca nele uma isca, e fica calmamente esperando a mordica do peixe, que só ao ser fisgado percebe que caiu numa armadilha.
Mas ele é bem mais que um manipulador de iscas: ele vai ao fundo daquilo que a vítima entende como necessidade espiritual e de lá sai com a alma dela na mão. Não há espaço para a resistência, para a luta, a presa já está fisgada e cabe ao agressor usá-la ao seu bel prazer.
Para minha surpresa existe no congresso brasileiro, da parte do grupo de pressão suprapartidário dos evangélicos, um movimento já antigo de defesa dessa pessoa.

O Deputado Marco Feliciano, nosso famoso Presidente da Comissão de Direitos humanos da Câmara, subiu à tribuna para defender as figuras dos pastores Marcos Pereira e Silas Malafaia, este ameaçado pelo Conselho de Psicologia de ter o seu diploma cassado:
http://www.youtube.com/watch?v=dQ0NxLcSjjw
Enfim, o Pastor está preso em Bangu 2, seu Habeas Corpus foi negado, e cabe à justiça definir o seu destino.O cardápio é extenso: acusado de duas dezenas de estupros (vide Veja), ele é ainda investigado por suas ligações com traficantes, que ele dizia ser capaz de curar, lavagem e dinheiro e o assassinato de três pessoas que se opuseram ao seu "templo de terror". A coisa parece que começou a aflorar com a denúncia do coordenador da ONG AfroReggae, José Júnior, de um plano para eliminá-lo gestado no interior da sua igreja.
Que a justiça esclareça esses fatos e seja rápida. A sociedade, a exemplo do mensalão, exige respostas.
1 - Na sua página 84 vem o título "A Casa do Horror", da reportagem que descreve com detalhes o sofrimento das três mulheres mantidas presas em Cleveland, Ohio, por uma década.
2 - Já na reportagem seguinte, na página 88, temos o "Mergulho nas Trevas", que trata do fim dos dias gloriosos de um pastor acusado de estuprar fiéis, acobertar criminosos e ordenar assassinatos. Isso aqui no Brasil.
3 - A reportagem seguinte, página 90, "Índio Quer Tumulto" é sobre o comportamento abusivo de índios que viajaram 800 quilômetros, financiados por ONGs, para invadir uma hidrelétrica em construção, causando um prejuízo de 10 milhões de reais por dia.
4 - Mais adiante, na página 92, a reportagem especial "Não Bastou Escapar do Inferno" descreve as dificuldades dos refugiados da Coréia do Norte para se adaptarem à nova vida no mundo livre.
5 - Não deixa de ser uma agressão o tema da reportagem seguinte, "Guerra aos Paraísos Fiscais", página 102, onde vemos que a União Européia decidiu combater as organizações que lavam o dinheiro conseguido em operações criminosas em todo o mundo.
São cinco reportagens seguidas na revista de maior divulgação no país.
Já na minha Campinas, como de resto em toda área metropolitana do nosso país, viver se transformou em uma operação delicada. Depois de 15 anos morando em um condomínio fechado, onde as pessoas que iam me visitar tinha que passar pelo constrangimento de mostrar documentos, ou ter cadastro já existente na portaria, resolvi fazer uma coisa que foi encarada com uma loucura pelas pessoas mais chegadas: morar em uma casa onde não seria necessário passar por uma guarita para se chegar até ela.
O condomínio fechado, horizontal ou vertical, é na verdade uma prisão. Só quando tomamos a decisão de sair dele que nos damos conta de quanto os procedimentos que temos que seguir nos transformam em seres antissociais, egoístas, fechados. A segurança que ele nos oferece em troca da nossa liberdade confiscada, além de ilusória, nunca é compensadora. A nossa natureza de seres livres dá lugar a uma situação em que a única saída é nos tornarmos agressivos. Surgem as disputas entre vizinhos que acabam por tornar a assembléias uma fogueira de vaidades, com o seu progressivo esvaziamento.
Outro fenômeno que acaba por ocorrer é que os grandes criminosos já descobriram que o melhor lugar para se esconder é dentro de um condomínio de alto luxo, e tornaram-se comuns as incursões policiais à cata deles, a ponto de não podermos mais afirmar que dentro desses locais a população per capita de criminosos é menor.
A arquitetura das nossas áreas metropolitanas foi modificada para abrigar esse estado de coisas. Minha filha mais velha mora em Melbourne, Austrália, cidade com cerca de 3,5 milhões de habitantes, mas que tem uma área maior que a da cidade de São Paulo. É impensável para um habitante de Melbourne abrir mão de morar em uma casa ampla, com quintal onde os pássaros vêm te acordar todos os dias. Também é impensável cercar com muros altos a sua residência, o que torna os bairros de Melbourne lugares extremamente agradáveis.
Junte-se à falta de segurança a falta de transporte urbano de qualidade, a falta de infraestrutura, e chegamos a situações como São Paulo, Rio, BH, e por aí vai. Goiânia, hoje, com sua ruas estreitas e pombais cada vez mais altos, tem um trânsito impossível de se dar solução. Fiquei sabendo que Florianópolis caminha no mesmo sentido. E nossas autoridades não fazem nada. E nós vamos nos adaptando a esse inferno.
Somos permanentemente agredidos. De todas as formas possíveis. Mas de todas as agressões a que estamos expostos a mais cruel, sem dúvida. é aquela de que trata a reportagem do pastor da Assembléia de Deus dos Últimos Dias, a celebridade Marcos Pereira. Cortejado por políticos, artistas e ongueiros, a ponto de ter sido fotografado abraçando a nossa presidente, ele é, ou era, o grande guru da baixada fluminense.
Nessa forma de agressão o agressor atrai a vítima com uma proposta de libertação: pode ser o caminho para o céu numa vida futura, a cura de uma doença grave ou de um vício, o tratamento de um problema existencial; é a vítima que procura o agressor, o qual, travestido em cordeiro, lhe dá a garantia da solução do seu problema, e acaba por conquistar por completo a sua confiança. O passo seguinte é a agressão.
Como sou pescador, vou traçar um paralelo entre o estuprador de Cleveland e o nosso Guru de periferia. O estuprador sai de casa, dá carona a uma adolescente que certamente estava acostumada a pedir carona para voltar pra casa, a leva para seu bunker e a mantém presa à sua mercê. Sua estratégia é clara: o predador saiu pra pegar a sua presa munido do seu arpão. Já o nosso Pastor pega um anzol, coloca nele uma isca, e fica calmamente esperando a mordica do peixe, que só ao ser fisgado percebe que caiu numa armadilha.
Mas ele é bem mais que um manipulador de iscas: ele vai ao fundo daquilo que a vítima entende como necessidade espiritual e de lá sai com a alma dela na mão. Não há espaço para a resistência, para a luta, a presa já está fisgada e cabe ao agressor usá-la ao seu bel prazer.
Para minha surpresa existe no congresso brasileiro, da parte do grupo de pressão suprapartidário dos evangélicos, um movimento já antigo de defesa dessa pessoa.

O Deputado Marco Feliciano, nosso famoso Presidente da Comissão de Direitos humanos da Câmara, subiu à tribuna para defender as figuras dos pastores Marcos Pereira e Silas Malafaia, este ameaçado pelo Conselho de Psicologia de ter o seu diploma cassado:
http://www.youtube.com/watch?v=dQ0NxLcSjjw
Enfim, o Pastor está preso em Bangu 2, seu Habeas Corpus foi negado, e cabe à justiça definir o seu destino.O cardápio é extenso: acusado de duas dezenas de estupros (vide Veja), ele é ainda investigado por suas ligações com traficantes, que ele dizia ser capaz de curar, lavagem e dinheiro e o assassinato de três pessoas que se opuseram ao seu "templo de terror". A coisa parece que começou a aflorar com a denúncia do coordenador da ONG AfroReggae, José Júnior, de um plano para eliminá-lo gestado no interior da sua igreja.
Que a justiça esclareça esses fatos e seja rápida. A sociedade, a exemplo do mensalão, exige respostas.
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