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As Perspectivas para 2.017

Sou um leitor assíduo da coluna da Mônica de Bolle no Estadão. Aliás, devo dizer que desde muito tempo deixei, em função da linha política do seu concorrente, de ler qualquer outro jornal, à exceção do Correio Popular local, que é muito bom. Estou muito velho para me dar ao trabalho de confrontar linhas de pensamento e resolvi ficar com a minha. E leio o Estadão e a Veja, além do Correio Popular. 

A equipe de colunistas do Estadão sempre me surpreende, e a Mônica é uma colunistas que eu mais aprecio. Ao ser convidada para escrever sobre a retrospectiva do ano de 2.016 no Caderno de Economia de 25/12, do qual fizeram parte entre outros Gustavo Franco, Amir Khair, Affonso Celso Pastore e Albert Fishlow, ela preferiu fazer uma Retrospectiva 2.017!!

Atribui-se a Pedro Malan a expressão "no Brasil até o passado é incerto", talvez em função dos esqueletos que ele herdou dos governos anteriores. Acho que se fosse ele o condutor da economia nos dias de hoje ele iria dizer que "no Brasil até o futuro é certo", e entendo que esse foi o pensamento de Monica de Bolle ao escrever essa coluna. O estado em que Michel Temer encontrou a economia não dá margem a grandes expectativas para o ano que se inicia. 

As incertezas começam do lado de fora, não bastassem os problemas que já temos internamente. Se Donald Trump cumprir metade das promessas que fez para se eleger, o Brasil vai ter que ser célere em adotar as medidas necessárias para alavancar a nossa economia falida, e sabemos que dificilmente isso ocorrerá na sua totalidade. O que se espera na área internacional é uma pressão inflacionária global, que será resultante das alta nos preços do petróleo e da guerra comercial com a China. A instabilidade resultante da política externa agressiva americana pode levar a um ambiente estagflacionário, agravado pelo grande aumento do déficit público americano. 

O que ainda resta da nossa economia vai sentir fortemente o baque. A reforma da Previdência deve ser aprovada com emendas suficientes para torná-la inócua na prática, e esse vai ser o fator que irá comprometer a percepção dos investidores quanto à viabilidade fiscal do país. Com isso o Brasil pode ser obrigado a pedir novamente a ajuda financeira ao FMI para evitar que a fuga de recursos do país nos leve a um default. 

A taxa de desemprego não deve dar sinal de recuo, podendo chegar a algo em torno de 14%, o que pode resultar no retorno das manifestações populares. O brasileiro não tem uma noção precisa de como funciona e economia, que se comporta como uma espécie de imenso navio onde os comandos só apresentam resultados no médio e longo prazo. Nossa cultura patriarcal entende que uma mudança no governo é suficiente para mudar o curso da história, mas não é isso que ocorre na vida real. 

O imediatismo que o brasileiro está exigindo do poder público não se justifica. O Brasil era uma avião em queda livre que, para recuperar a curva ascendente vai ter que cair mais um pouco. A física explica de forma precisa esse movimento. Se um avião bater numa parede ele se destrói, em vez de voltar a subir. É necessário que o piloto seja trocado e acione o manche para cima. E esperar a reação do avião. 

Nenhum político está em seu posto sem que tenha sido eleito por nós. O próprio Temer foi eleito pelos mesmos brasileiros que votaram na Dilma, a qual foi defenestrada por total incompetência em concertar os absurdos que cometeu. Temer não pode promover as mudanças necessárias na sua totalidade, pelo simples fato que os políticos que ele tem que adular vão alterar em parte as suas propostas. E elas são de médio prazo; e nós somos imediatistas. De qualquer forma eu entendo que Temer, com todas as sua mesóclises, talvez seja, pelo seu passado parlamentarista, o político disponível mais capacitado a chegar perto daquilo que precisamos, dentro daquilo que temos ao nosso dispor.

Fui visitar esta semana um amigo que se acidentou e está no estaleiro por algum tempo. Sua esposa me relatou um fato que ela presenciou e que retrata muito bem o nosso estado de espírito atual. Segundo ela uma madame na sua frente na fila do caixa do supermercado estava se queixando da falta de resultados do governo Temer. A moça do caixa, que certamente está mais perto daquela linha que define o limite da tolerância que tem o brasileiro, decidiu chamar a atenção da madame, alegando que o estrago herdado tinha sido grande demais e que era preciso ter paciência. Sábia garota. 


Enfim, vamos esperar que a Retrospectiva 2.017 da Mônica de Bolle, não esteja 100% certa. Existem economistas que são menos pessimistas. Corre na Internet uma lista de 54  
medidas adotadas pelo novo governo, lista esta atribuída a um economista famoso, que eu prefiro não declinar o nome por não ter conseguido comprovar se é verdadeira a origem. Mas tenho que concordar que todas elas são verdadeiras e estão dando ao Brasil uma maior credibilidade. Reproduzo abaixo as que considerei mais importantes:
  • Criou uma consciência de controle de despesas federais por 25 anos, e provavelmente para sempre.
  • Passou a Lei das Estatais proibindo dirigentes partidários de serem indicados para assumir cargos de direção das estatais, Para os cargos só serão admitidos administradores competentes ou profissionais com 10 anos de experiência no setor. Fim dos Sergio Gabrielis e Lucianos Coutinhos,que nunca trabalharam numa empresa na vida.
  • Passou a Lei da Repatriação regularizando 200 bilhões de dólares que lentamente voltarão para o Brasil.
  • A Economia voltou a crescer 2,8% nesse último trimestre.
  • Introduziu a  prática de custo-beneficio, única forma de avaliar novos programas sociais.  Novos programas sociais só poderão ser implantados se seu custo-benefício for maior do que os planos dos governos passados. 
  • Implantou auditoria no Bolsa Família, jamais feito antes, e detectou mais de 1,1 milhão de fraudes. 
  • Reduziu o risco Brasil de 400 para 325.
  • Reduziu a inflação para 0,18% em Novembro.
  • O Real se valorizou 17%.
  • O valor das nossas empresas subiu 39%, ante queda de 50% na gestão Dilma. 
O Estadão de ontem, 14/01, em seu editorial, trata desse assunto de forma cirúrgica. Para o editorialista, "os importantes progressos já conquistados por Michel Temer, no saneamento das contas públicas e na modernização do aparato legal que regula a atividade econômica, não são garantia de que o País esteja inexoravelmente no rumo da recuperação, até porque o governo tem errado também, com frequência às vezes alarmante. Há sempre, certamente, mais de um caminho para seguir em frente com êxito. Mas o caminho do retrocesso, felizmente, foi interditado pela voz das urnas".

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