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Por que estou iniciando este Blog

A pergunta faz sentido. Todo sentido, já que lançar um Blog implica em:
  • Ter a pretensão que haverá leitores que irão se dispor a ler o que você vier a escrever.
  • Assumir um certa responsabilidade de levar adiante essa iniciativa, caso os leitores apareçam.
A minha filha Cláudia já tem um blog: http://brasilicus.blogspot.com.br/ . Morando em Guapé - MG, ela conseguiu driblar o isolamento de viver em uma cidade de 17.000 habitantes com um Blog que já teve 51.000 acessos; 3 acessos por habitante de Guapé. Nesse Blog ela expôe conceitos variados sobre:
  • Criança
  • Educação
  • Esclerose Múltipla (ela é portadora dessa doença)
  • Facebook
  • Humor
  • Medicina
  • Pessoal
  • Polêmica (ela adora uma)
  • Psicologia (ela é psicóloga)
  • Relacionamentos
  • Religião
  • Sexo
É muito assunto para ser abraçado por um velho de 69 anos. Precisa ser jovem para falar sobre tanta coisa. Resolvi então, pelo menos no começo, limitar um pouco o meu horizonte de discussão. O título do Blog: Cético, em geral é visto com reservas. Correntemente o cético é aquele que tem a missão de desmascarar processos, posições e atividades que, sob seu critério, nos levariam a uma vida mais segura e saudável. Seria assim uma espécie de lixeiro dos costumes.

Os gregos, ao criarem essa palavra, deram a ela um significado mais próximo de "ponderado". Um cético é aquele que nunca recebe uma informação como sendo a verdade absoluta. Ele pondera e decide sobre a validade da informação. A verdade é que nós evoluimos para nos tornarmos hábeis, para criarmos padrões de comportamento. Os que evoluiram foram os melhores buscadores de padrões:
  • Ao caçar, fique sempre contra o vento.
  • O esterco é bom para o cultivo de alimentos
Para procurarmos e descobrirmos padrões é necessário que concluamos sobre o valor dessas descobertas, e isso pode nos levar a incorrermos em erro. Estou lendo um livro importante sobre o assunto: Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas, de Michael Shermer, JSN Editora. Segundo Shermer, na caça da definição de padrões, podemos incorrer em dois tipos de erro:
  • Erro tipo 1: acreditar em algo falso
  • Erro tipo 2: rejeitar uma verdade
e contanto que esses erros não venham a nos matar, eles persistem. No entanto, junto com esses erros podemos também cometer os seguintes acertos:
  • Acerto tipo 1: não acreditar em algo falso
  • Acerto tipo 2: acreditar numa verdade
A evolução das sociedades, que Shermer define como o Motor de Crença, é o resultado da avaliação desses dois erros e dois acertos.

Sempre me intrigou o fato de o homem, que ao nascer leva anos para se tornar independente (e a sociedade moderna insiste em aumentar esse tempo de aprendizado), acabou por se tornar o dono de todas as riquezas do planeta. Ao ler Domenico de Masi, em O Ócio Criativo, descobri a resposta a essa dúvida: o tempo de apredizado longo, ao invés de um defeito, é na verdade a grande vantagem do ser humano. O cavalo cai no chão e sai andando; o homem nasce e, se não for carregado pela mãe durante meses, e alimentado por anos, morre. Mas ele usa esse tempo para aprender, e aí os ensinamentos das gerações anteriores são transmitidos, cria-se a cultura, da qual o cavalo foi privado.

O problema é que esse aprendizado pode ser o resultado dos dois erros e dos dois acertos acima citados. Os motivos que levam as sociedade a penderem para um padrão são variados. Sociedades altamente evoluidas, na era atual, acreditam firmemente no criacionismo e na negação do holocausto, e em épocas passadas o berço da nossa civilização criou as cruzadas e a caça às bruxas.

É sobre esse assunto que tanto me intriga que pretendo falar nesse espaço. É claro que, se depender de mim, ele vai ser um espaço totalmente aberto às mais variadas contribuições, dentro, é claro, do respeito que é devido a todos os que se interessarem por esse Blog. Entendo que os comentários que porventura acontecerem devem ser identificados, para que haja uma certo equilíbrio nas discussões.

Em tempo: como sou um iniciante nessa coisa, minha filha Claudia vai tentar dar um aspecto melhor ao Blog.

Comentários

  1. A psicanálise chama de "negação" esta insistência em não acreditar na verdade e/ou manter-se na ilusão. E, dentro da teoria, a negação nada mais é do que um mecanismo de defesa para lidar com a realidade, nem sempre fácil.
    Talvez "cético" seja, então, alguém que consegue olhar diretamente para a dureza da vida. Good for you!
    Belo Blog!!! Boas cores, boa apresentação! Adorei!

    ResponderExcluir
  2. Filosoficamente o ceticismo se opõe ao dogmatismo e por aí eu também seria cético, mas vou um pouco além. Não sinto necessidade de nada transcendental na vida, o que me leva para o terreno do materialismo e do ateísmo. Concordo com a Cláudia que ao desprezar as muletas dos agentes transcendentais - milagres, ações "espirituais" e coisas que tais - se tem que encarar a vida de frente e como ela é, dura e difícil.

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